terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Parolagem da Vida - Carlos Drummond
Parolagem da Vida
Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nuda.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Reto
Mantenha-se
Com a mira no sol
Intempéries não devem lhe resignar
Nem embrulhar seu destino
E engasgá-lo na garganta
Tudo ainda pode dar certo.
Com a mira no sol
Intempéries não devem lhe resignar
Nem embrulhar seu destino
E engasgá-lo na garganta
Tudo ainda pode dar certo.
Risco Zero
O seu corpo acostumado
A ser submarino velho
Que nunca está pronto para entrar no mar
Arrefecido ao risco zero
Que zera todas as possibilidades
Todos os desejos
Todas as virtudes
E salve-se quem puder na terra firme onde nada é possível
Além do possível.
A ser submarino velho
Que nunca está pronto para entrar no mar
Arrefecido ao risco zero
Que zera todas as possibilidades
Todos os desejos
Todas as virtudes
E salve-se quem puder na terra firme onde nada é possível
Além do possível.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Trampolim - Caetano Veloso
Sem olhar, sem respirar
Sem rir, sem pensar, sem falar
Só te provo um lugar
Qualquer piscina ou mar de Amaralina
O amor não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Dance, dance, cante, cante
Muito alto, sem medo de tudo
De nada, sem medo de errar
Vejo uma boca vermelhar galhar
A paixão não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Sem olhar, sem respirar
Sem rir, sem pensar, sem falar
Só te provo um lugar
Qualquer piscina ou mar de Amaralina
O amor não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Dance, dance, cante, cante
Muito alto, sem medo de tudo
De nada, sem medo de errar
Vejo uma boca vermelhar galhar
A paixão não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Sem rir, sem pensar, sem falar
Só te provo um lugar
Qualquer piscina ou mar de Amaralina
O amor não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Dance, dance, cante, cante
Muito alto, sem medo de tudo
De nada, sem medo de errar
Vejo uma boca vermelhar galhar
A paixão não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Sem olhar, sem respirar
Sem rir, sem pensar, sem falar
Só te provo um lugar
Qualquer piscina ou mar de Amaralina
O amor não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
Dance, dance, cante, cante
Muito alto, sem medo de tudo
De nada, sem medo de errar
Vejo uma boca vermelhar galhar
A paixão não é mais do que o ato
Da gente ficar
No ar antes de mergulhar
Antes de mergulhar
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Minhas palavras
Minhas palavras
Não podem ser meras palavras
Elas têm de atuar
Com os olhos
Com o pensamento
Como o coração
Não podem passar despercebidas
Nem vazias de sentido
Se me perguntam a razão
Sei bem o porquê
Mas duvido que muitos me entendam
O que eu digo quando digo
Que as palavras
São tudo o que tenho
Tudo o que tenho
Tudo
o que tenho
Não podem ser meras palavras
Elas têm de atuar
Com os olhos
Com o pensamento
Como o coração
Não podem passar despercebidas
Nem vazias de sentido
Se me perguntam a razão
Sei bem o porquê
Mas duvido que muitos me entendam
O que eu digo quando digo
Que as palavras
São tudo o que tenho
Tudo o que tenho
Tudo
o que tenho
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Me Voy
"No voy a llorar y decir que no merezco eso
Es probable que lo merezco, pero no lo quiero
y por eso me voy"
Es probable que lo merezco, pero no lo quiero
y por eso me voy"
domingo, 7 de fevereiro de 2010
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